Cine Cinéfilo entrevista Acauã Pyatã.

2 Nov
2009

Olá Cinéfilos.

Depois da entrevista de Claudia Nascimento no mês passado, chegou à vez de um dos blogueiros mais “Papa-Chibé” da blogsfera paraense. Estou falando de Acauã Pyatã, blogueiro nato e membro da comunidade Blogueiros Paraenses. Na entrevista concedida ao Cine Cinéfilo, Pyatã fala sobre Cinema independente e sobre a dificuldade de se fazer cinema no Pará.
A Entrevista começa em três… dois… um…

Ficha Técnica
Nome: Acauã Pyatã
Twitter: @acauapyata
Cidade: Belém – PA
Blogs: Oca do Acauã e Galo da Pan
Assuntos: Oca do Acauã: Opinião pessoal acerca do mundo, sociedade, cultura papa-chibé, temas de relevância e claro dicas sobre tudo, tudo aquilo que você encontra na oca de um índio… o infinito
Galo da pan: publicidade, propaganda, comunicação e marketing

Daniel Moura: Acauã, em que consiste o projeto Galo do Pan – Papa-Chibé em foco? Explique um pouco do projeto, porque ele leva esse titulo e qual o publico alvo.
Acauã Pyatã: O projeto na verdade começa com a proposta de um encontro de cinema, daí dar-se o nome:1º Encontro de Cinema Galo da Pan – Papa-chibé em Foco. A ideia foi levar ao meio acadêmico a magia do cinema através do olhar de cineastas locais, podendo por eles em contato com algo que se produz aqui, mas que as pessoas muitas vezes não conhecem ou não valorizam, que é o cinema local. Nesse encontro tivemos a oportunidade de conversar com cineastas, produtores e atores dos mais diferentes níveis, desde aqueles que produzem vídeos independentes e postam no Youtube, até um conceituado cineasta paraense que dirigiu o curta Matinta Pereira, Jorge Vidal. A experiência foi interessante ao perceber a reação das pessoas ao se depararem com realidades, imagens, com o simulacro de algo que ao contrario do cinema nacional ou internacional, se torna algo do cotidiano delas, muito interessante perceber as expressões das pessoas ao terem contemplado cenas que tiveram com o palco o bairro da Terra Firme, Cidade Velha, dentre outros… Papa-chibé em Foco faz referencia justamente ao foco especial dado no encontro exclusivamente para o cinema paraense.

DM: E você pretende dar uma continuação ao projeto?
AP: Sim, o próximo passo agora, que ainda está no papel é tentar fazer parcerias com colaboradores para que possamos fazer algo do tipo: “Cine Papa-chibé itinerante”. A ideia consiste em levar o cinema papa-chibé e também o alternativo, com curtas e microformatos especialmente, até as escolas publicas, faculdades e comunidades. Tentar executar exibições em praças publicas por exemplo, dando uma abordagem pedagógica dos contextos e textos em que esses filmes tratam nas escolas e tentar aplicar a analise critica social ou
cultural juntamente as exibições publicas comunitárias no contexto em que aquelas pessoas se inserem, cinema pode ir bem mais além do que simplesmente ver e entender, e é disto que irá tratar a nova fase ainda em estudo. Quem sabe com a colaboração nos possamos até mesmo fazer oficinas resultando em novas produções feitas com o povo, para o povo e pelo povo. “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, não é assim? Rsrs

DM: Você tem vontade de fazer algum projeto próprio de filme? Seja curta ou longa? Qual o assunto você abordaria?
AP: Se tenho vontade? Heheh Com toda a certeza do mundo. Fazer um curta metragem para mim é questão de honra, amo cinema, em especial os que tratam de temas regionais, logo, cinema papa-chibé, e é justamente nesta esfera que os roteiros que tento escrever trabalham. Eu tenho uma linha de pensamento muito voltado para questões sociais e a realidade, especialmente as que dizem respeito a nossa sociedade local, e as coisas que muitas vezes ela se nega a ver, ou finge que não existe, e vejo no cinema a possibilidade de estampar na cara das pessoas aquela parte da historia que elas todos os dias vêem, mas na verdade nunca enxergam.
Fazer ficção é fácil, você trabalha praticamente com sonhos e vislumbres da realidade, falar de coisas que as pessoas querem ver ou ouvir: amor, intriga, traição… são coisas que os produtores de novelas já falam, eu acredito que quem produz cinema tem que mostrar realmente aquilo que as pessoas não gostariam de ver, o que acontece nas madrugadas, becos e veredas da cidade de Belém enquanto elas dormem quentes em suas casas, apartamentos e condomínios.
Estou com um projeto que já venho amadurecendo a praticamente 03 anos, e diga-se de passagem, o Fantástico da Rede Globo cortou minhas pernas por ano passado por ter lançado uma serie de reportagens com o título do meu projeto, chamado “Di menor”. Pretendo em meu primeiro projeto mostrar o que vai além de um garoto sujo em um sinal fazendo malabarismo. Para alguns são apenas moleques vagabundos, para outros, vitimas da sociedade canibalista ou simplesmente desafortunados, as pessoas enxergam tudo, menos aquilo que esses garotos enxergam, e é disto que trata meu primeiro projeto, um curta metragem que irá dentre outras coisas escrachar a realidade presente e viva que emana das periferias da cidade de Belém.

DM: Você concorda que o cinema nacional tem uma visão muito televisiva, pelo fato da maioria dos diretores serem desse ramo? Você concorda que a abordagem crescente do lado social nos filmes brasileiros, não é apelação e sim uma forma de mostrar a realidade no país?
AP: Essa visão televisiva se da pelo fato de grande parte dos diretores de cinema de nosso pais serem jornalistas, produtores de TV ou pessoas ligadas ao meio, o que causa esse estilo mais televisivo bem próprio de trabalhar a realidade, perceba que esta é uma característica do jornalismo. A questão da apelação não se da pelo tema “realidade”, mas p-ela forma como isso é trabalhado, as vezes os diretores buscam priorizar inicialmente a emoção, causar reações no público quando na verdade o foco que deveria ser dado é na realidade, e quando isso ocorre, essa perca de foco, temos aquela sensação de apelação, sensacionalismo, exagero ou de distorção.
Vou usar como exemplo um curta metragem paraense, de um diretor da cidade que até ganhou destaque na mídia nestas ultimas semanas devido o trabalho que está dirigindo. Este diretor iniciou um curta seu, com um presidiário saindo de uma penitenciaria, e ao passo que este homem avança rumo a liberdade, os ângulos da imagem dão aquela sensação de redescoberta de mundo, enquanto os demais presos batem nas grades com copos, fazem aquele fuzuê, todos gritando: “liberdade”, e eu me pergunto: “isso seria aqui no Pará?”.
Ai vem a questão: realidade ou apelo? Está claramente revelado que a tentativa de mostrar o contato com o mundo de alguém que passou tempos privado da liberdade e tal redescoberta, foi sufocada pela apelação a emoção de forma altamente irreal, pois sabemos que isso não acontece, não aqui no Pará, nem no Brasil, de presos gritando: LIBERDADE!!!
Trabalhar a realidade é uma faca de dois gumes, ou você de fato revela a “vida como ela é”, ou brinca de “museu de velhas novidades”. O apelativo não está em mostrar a realidade, mas a forma como isso é exposto, fica parecendo até que é modismo.

DM: Em sua opinião de estudante de Comunicação Social, o Cinema Brasileiro está vivendo outro estágio? Algo além da retomada? Pois afinal, ninguém retoma algo a vida toda.
AP: O cinema brasileiro esta nessa historia de retomada desde 1998, quando foi lançado nas telas “Central do Brasil”, de lá para cá houveram muitas propostas interessantes, até mesmo “buns!!!” como Cidade de Deus, Carandiru e etc, mas se formos analisar de fato, estes filmes todos que vem sendo produzidos não trazem nada de novo, melhoraram a qualidade técnica, mas a anos a roda vem sendo reinventada, as temáticas trabalhadas quando não são da mesma esfera são intimamente relacionadas. O cinema brasileiro tem grandes possibilidades, e podemos observar isso até mesmo pela qualidade do jornalismo e dos filmes publicitários produzidos aqui, contudo o principal não está sendo renovado, que são as idéias e as visões.
Alguns podem dizer neste momento: “a isto ele está se referindo ao circuito comercial, ele não deve ver o que está por ai de interessante no circuito cult ou alternativo”, mas é ai que está a questão, como estudante de comunicação SOCIAL, percebo que o cinema alternativo ou cult não está acessível a grande massa, e muito menos tem seu lugar na massa mídia, com exceção da TV Brasil e da Cultura que tem programas como o Moviola, DOCtv, CINERAMA e etc, mas sabemos que a população em geral não busca esses meios alternativos. Imagine você, a TV liberal exibindo “Chama Verequete”, ou quem sabe aqueles vídeos interessantíssimos do festival do minuto rolando na MTV?
As pessoas só tem acesso ao circuito comercial, ao que da bilheteria, quem sabe a maioria da população nem conheça que o Cine Olympia exibe cult, old e alternativo.
Tem uma parcela do cinema nacional que já saiu da fase de renovação, que é um segmento do alternativo que tem muita força na internet, como as minisséries que as pessoas produzem como aquele paulista que construiu um seriado sobre histórias em um elevador, sucesso no VídeoLOG, As Coleguinhas, e uns outros interessantíssimos, que falam do cotidiano e da realidade de pessoas comuns, cinema com, por e para pessoas comuns com vidas comuns, e isto interessa porque identifica.
Tive a oportunidade de ver neste mesmo site alguns episódios de uma minissérie independente que conta a historia de duas amigas, das quais uma vive a odisséia de descobrir como perder a virgindade, e nesta historia rola descoberta sexual, descoberta como ser humano, mulher e etc. Veja que rico! O cinema nacional já está num próximo estágio, mas longe das grandes telas de exibição nos cinemas.

DM: Legal Acauã… Agora vamos falar de Blogs!
Porque Blog, Acauã?

AP: Muitas pessoas não tem a possibilidade de se expressar publicamente, ou sentem dificuldades de expor suas idéias, outras simplesmente são o contrario, possuem sinergia comunicativa, e pretendem dividir com o mundo aquilo que pensam e acham, outros acham divertido, outros usam como diarinho, portfólio, coletânea e etc… Eu uso um Blog para tudo isso e muito mais. Comecei a escrever em blogs desde o inicio da minha adolescência, 13 ou 14 anos, começou como um hobby, porque acreditava que as pessoas leriam minhas historias e achariam legal, mas com o passar do tempo e com o meu amadurecimento pessoal as coisas foram se transformando,e comecei a ver na ferramenta blog uma possibilidade de expressão impar, afinal de contas, através de um blog, pessoas anônimas podem se tornar grandes celebridades virtuais, lerem e serem lidas por pessoas que dividem dos mesmos assuntos de interesse, e interagir.
Vejo para mim no blog uma possibilidade de dividir meu infinito particular com o mundo, deixar que o mundo interaja, divida comigo e me construa dentro desse contexto. O que leva alguém a fazer um blog? Simplesmente a necessidade de ler e ser lido, de poder se expressar,e é isto que um blog é para mim, mais uma possibilidade de expressão para alguém nada tímido e nem um pouco calado como eu.

Bate Bola, aqui Acauã mandou o que ele considera o melhor e o pior dê:

Filme: O Melhor é Cinema Paradiso, e o pior Spirit, ô filme sem graçaaa
Estilo Musical: Os melhores são Metal, reggae roots, MPB, musica popular paraense, samba e Blues… O Pior? no suporto pagode, forro, axé e coisas do tipo
Seriado de TV: O Melhor é The Simpsons. O pior é Arnold
Portal de Internet: O melhor é o Portal Cultura. O Pior… São tantos que nem sei qual escolher
Minissérie Brasileira: Melhor – Engraçadinha (no ãfugiu muito do livro). Pior – Presença de Anita hauhaua sonho com aquelas cenas ate hoje… dios mio hauahua
Blog: o melhor é o Jornal Sanitário. O Pior: Blog do Guimarães do Diário… La quero sabe o que os bares estão fazendo kkkkkkkk.

Espaço aberto: Aqui quem mandou foi o próprio Acauã! Eu fico isento de qualquer responsabilidade! RS
AP: Galera foi muito bom poder ter conversado com o Daniel acerca de cinema e Blogs, gostaria de convidar vocs a visitar minha oca, fica ali na esquina do wordpress, na rua http://ocadoacaua.wordpress.com e também visitem o Galo da Pan, la tem muita coisa legal, vídeos publicitários, artigos sobre comunicação, tirinhas e etc, ideal para estudantes de publicidade e comunicação, assim como qualquer pessoa que curta os interesses de comunicação, o mundo!

Quem quiser me adicionar para bater papo é pelo MSn contact_shakal@hotmail.com , escrevam na mensagem que me adicionaram do blog CineCinéfilo e claro, vamos nos seguir no Twitter. E não se esqueçam que cinema acima de tudo é uma idéia na cabeça e uma câmera na mão, que tal pegar seu celular e começar um microformato agora?
Nos vemos por ai, na telinha do cinema alternativo Papa-chibé, abraços!

Ê aqui encerramos a entrevista com Acauã Pyatã. Com certeza um garoto que vai longe!
Até a próxima cinéfilos!

Dan Moura

14 Responses to Cine Cinéfilo entrevista Acauã Pyatã.

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Wellington

November 2nd, 2009 at 5:20 pm

Gostei muito da sua postagem, a entrevista está super bacana! Visitei o site do Pyatã e é legal também! Parabéns!!! Abraços!

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Fábio Flora

November 2nd, 2009 at 9:39 pm

São ótimas essas iniciativas de incentivo à produçào cinematográfica local! Abraços e sucesso com o blog!

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Wagner Lopes

November 2nd, 2009 at 9:51 pm

A técnica é giclée (gravura digital), mas não é totalmente feito no computador, são traços com carvão tratados e modificados no computador.

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Heitor Torres

November 2nd, 2009 at 10:38 pm

Quando entrei no blog, já fiquei curioso para saber quem era esse tal de Acauã Pyatã. Falei “ah, deve ser mais um atorzinho de quinta da globo”. Mas, lendo a entrevista, vi que não era bem isso.

Abraço.

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Arthur Alves

November 2nd, 2009 at 11:12 pm

Bom, o visual do blog já chama muita atenção, é super legal, organizado e minimalista, pareço que estou em casa, e o conteúdo é muitoo legal! Digo por essa entrevista, super informativa, dinâmica, que nos prende até o fim, mesmo alguém sem tempo como eu… Parabéns

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Paulinho

November 3rd, 2009 at 1:42 am

Eu achei essa entrevista bem mais centrada… Nessa vc realmente soube abordar bem o cinema, visto que o entrevistado tbm é engajado no meio cinematografico..
Me identifiquei bastante com o Pyatã…

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Thâmara

November 3rd, 2009 at 1:52 am

Oiee!Muito legal, amei a sua idéia de fazer entrevistas no blog!Mesmo quando escrevemos sobre nós e o que pensamos nos blog nem sempre sabemos nos referir bem a nós mesmos, com uma entrevista deve ser mais fácil!bjs!

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Miguel

November 3rd, 2009 at 12:53 pm

Fazer cinema já é dificil, e fazer cinema em uma cidade onde você não tem muito incentivo é mais dificil ainda…
Parabens ao entrevistado…
Conselho: Faça logo seu curta… quanto mais rapido você começar mais rapido vc terá um nome no meio cinematografico…

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Renatto

November 3rd, 2009 at 1:03 pm

Gostei da Entrevista, apesar se ser um pouco redundante…
Uma vez eu vi um filme onde os presidiarios se comportavam de uma forma parecida… mas não era no pará, era nos Eua!

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marcus

November 3rd, 2009 at 1:58 pm

muito legal, o cara entende muito mesmo.

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Miss Audrey

November 4th, 2009 at 3:46 am

Nossa Adorei a entrevista Dan… Faz um tempo que não passo no teu blog…
Minha paixão platonica cresce ainda mais… xD
Ei Dan, as tuas entrevistas estão ficando legais…
O entrevistado desse mês entende do negocio…
Realmente cinema é algo bem dificil, requer muito tempo, dedicação, uma boa equipe e claro apoio dos amigos e familiares…
Fazer Cinema regional é um dsafio maior ainda, geralmente esse tipo de filme não tem um grande publico, o que dificulta muito se vc quiser um patriocinio… mas com lábia se vai longe…

Sorte apara o Pyatã (adorei o Sobre nome dele), desejo tudo de bom e espero ver o curta dele o mais cedo possivel…

Ei Dan tu tá chic hem gatinho… Tu já parou para pensar se o Pyatã faz sucesso? ele pode dizer nas por ae que o primeiro a entrevista-lo foi Vc!

xD

Bjos, Hepburn…

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Daniel Moura

November 4th, 2009 at 3:07 pm

O Acauã fez uma ponta em malhação, mas nunca mais voltou a Tv, pq ator de malhação nunca volta! xD
Brincadeira…
Agora falando sério…
Valeu pelos coments…

Tirando Duvidas:
O Acauã não é ator da Globo :D
Pyatã é nome dele mesmo, não é nome artistico (pelo menos eu acho)

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canto do lufa

November 5th, 2009 at 3:49 am

muito bom!

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sopiadas.net

November 20th, 2009 at 4:44 pm

otimo

adorei a entrevista

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